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“Quero fazer ligadura mas minha médica é contra”

Story by UNFPA Brasil November 2nd, 2016

Myrtis, 26 anos

Aos 26 anos Myrtis está grávida do segundo filho, o nascimento de Heitor está previsto para o mês de Novembro. Já é mãe de uma menina, Laura de 4 anos, que também não foi uma gravidez planejada.

“Não me prevenia mas não queria engravidar”, conta.

Myrtis é uma jovem empoderada, conhece bem seus direitos humanos, incluindo os direitos sexuais e reprodutivos. Mas sua luta com os insumos contraceptivos começou antes da primeira gravidez.


Faça valer os seus direitos!

“Sou hipertensa portanto a pílula não é aconselhável e tenho muito medo do que se diz sobre o DIU. Eu sei que com a ligadura não é 100% seguro que eu não vou engravidar de novo mas para mim é”, explica.

O marido apoia sua decisão de fazer ligadura mas a médica que a acompanha é contra a esterilização voluntária no seu caso. “Queria fazer ligadura mas a médica respondeu: vai fazer ligadura, menina? Vai ver que arranja outro marido e ele quer ter um filho?”.

Myrtis: É minha decisão, doutora. Não tem que ver com homem nenhum.

Médica: Então bota um DIU!

Myrtis: Doutora eu sou hipertensa, tenho propensão a diabetes, não acha que isso é argumento para fazer ligadura?

Médica: Mas ter só dois filhos, precisa de três para fazer a ligadura.

Myrtis: Mas quem disse que eu quero mais?

Médica: Então vá para a ouvidoria!

Myrtis: Pode deixar, a próxima consulta vai ser na ouvidoria.

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Segundo a Lei do Planejamento Familiar, artigo vetado pelo Congresso Nacional em 19.08.1997, a lei está do lado de Myrtis já que somente é permitida a esterilização voluntária nas seguintes situações:

“Em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de vinte e cinco anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos, desde que observado o prazo mínimo de sessenta dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico, período no qual será propiciado à pessoa interessada acesso a serviço de regulação da fecundidade, incluindo aconselhamento por equipe multidisciplinar, visando desencorajar a esterilização precoce”

A lei diz ainda que a mulher, ou o homem, precisam do consentimento d@ parceir@ para que seu pedido de esterilização seja atendido: “Na vigência de sociedade conjugal, a esterilização depende do consentimento expresso de ambos os cônjuges”.

DIREITOS REPRODUTIVOS

Tod@s têm o direito a decidir sobre sua vida reprodutiva. A decisão sobre ter ou não filhas e filhos, quantas crianças ter e em que momento das nossas vidas tê-las é um direito fundamental das mulheres e dos casais. É o direito ao planejamento reprodutivo, para que só engravidem as mulheres que querem engravidar, na hora que desejarem.

LINHAS DE APOIO

O Disque Saúde 136 é um canal de diálogo entre usuárias/os e a gestão pública de saúde. O objetivo é garantir que o direito à saúde não seja violado e melhorar a qualidade dos serviços prestados pelo SUS.
Caso seus direitos sejam violados, Disque Direitos Humanos 100. A ligação é gratuita, as denúncias são anônimas e podem ser sigilosas.
Ligue 180, A Central de Atendimento à Mulher orienta sobre os direitos e serviços públicos para a população feminina em todos o país. A ligação é gratuita.
Faça valer os seus direitos!
Footnote: Texto e fotos: Tatiana Almeida
Recife - PE, Brasil