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Protagonistas

Comunica Salvador

Story by UNFPA Brasil October 6th, 2017

Salvador, Bahia - Na Península de Itapagipe, em Salvador, Bahia, os jovens e adolescentes da Rede de Protagonistas em Ação de Itapagipe (REPROTAI) não dão tréguas ao vírus Zika desde que os primeiros casos começaram a afetar amigos, familiares, vizinhos e conhecidos na comunidade.

Com o projeto Comunica Salvador, elas e eles são chamados de protagonistas no combate ao vírus Zika, com atuação em áreas como saúde, cultura, gênero, comunicação, educação, inserção no mundo do trabalho e combate às várias formas de discriminação sobre as mulheres, o que contribui para o empoderamento do público atendido, que recebe as notícias produzidas pelo projeto e anunciadas pela rádio comunitária da região.

Com todos os familiares doentes, Arilma se sentiu desesperada e decidiu agir. A protagonista está feliz com os resultados de seu trabalho na comunidade. “Eu senti mudanças na comunidade. Hoje em dia, quando eu chego nas residências, a casa já não tá mais como antes, tá mais limpa e não tem mais água parada”, comemora.

Arilma recorda o dia da formação do projeto sobre direitos sexuais e reprodutivos, quando soube que o vírus Zika se transmite sexualmente. “Foi um choque, as pessoas não sabiam”, recorda.

“Tem menino que diz que tem alergia à camisinha e não gosta de se prevenir, e na verdade é mais fácil usar a camisinha masculina. Eu acho que tinha que ter mais responsabilidade, se ele não quis usar camisinha ele tem que se responsabilizar pelo filho dele. Ainda mais no período da zika, o bebê nasce com microcefalia e ele não quer criar”, reclama Alana, de 15 anos, uma das protagonistas do projeto.


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Quanto aos resultados do projeto Comunica Salvador, a Coordenadora da REPROTAI, Selma, não tem dúvidas: a comunidade mudou. “Antes a gente via cada um olhando sua porta, hoje eles estão olhando a cidade, a comunidade, as ruas”, conta. Em seu trabalho de advocacia, os protagonistas conseguiram compromisso político para a construção do Hospital da Mulher. “O governo de estado vai abrir um hospital na península de Itapagipe direcionado só para a saúde da mulher”, anuncia Selma com orgulho.

“Eu sei que eu e a maioria dos jovens que estão na REPROTAI são o futuro do nosso país, porque o conhecimento que a gente está adquirindo ali vai se expandir. Se eu formar 30 jovens você tem 30 sementes ali que pode plantar em qualquer lugar”, diz Gabriel, um dos protagonistas do projeto.

Selma também nota uma outra mudança: hoje as meninas são tão protagonistas quanto os meninos. “Antes as meninas ficavam lá sentadas e os meninos mandando brasa; hoje não, juntos eles vão fazendo protagonismo na cidade afora”, explica.

“Na REPROTAI meio que você não tem para onde correr, ou você é protagonista ou é protagonista, porque a gente se envolve com vários eventos, a gente tem um público de criança, tem um público de adolescentes e jovens e tem horas que a gente tem que falar. E aos poucos, a gente vai quebrando essas barreiras da timidez porque a gente percebe que está no meio de amigos, é um elo de amizade e a REPROTAI não é só uma rede, ela é uma família”, conclui Vitória, uma menina tímida e reservada que aos 14 anos achou sua voz e virou protagonista.


Sem dinheiro para pagar a faculdade de Medicina, Lea Mendes, trancou a matrícula e trabalha no Posto de saúde de Castelo Branco. Durante a epidemia de Zika, ela se tornou uma aliada fundamental na comunidade para o combate ao vírus. “Quando eu cheguei no posto com a proposta de fazer visita na casa das pessoas, eles abraçaram a ideia e me ajudaram. A gente dá camisinha para o povo se prevenir da doença porque a zika também é sexualmente transmissível. Os adolescentes abraçam, não querem ter filho, tem umas que já têm filho e a gente está sempre com essa adolescente”, conta.


“Eu me vejo como uma adolescente que pode mudar a minha comunidade, eu não quero ver a minha comunidade acabar, eu posso mudar isso, o futuro está logo ali, eu posso mover terras”, comemora Alana, protagonista

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Moradora na comunidade Lobato, Lea tem acesso privilegiado a uma área controlada pelo tráfico de droga, o que a possibilita a ajudar mais pessoas. “Eu sou conhecida em todas as áreas do Lobato e o povo me respeita, incluindo o traficante. Meu foco são as mulheres grávidas por causa da microcefalia, e me sinto feliz, eu gosto, sempre gostei, da área da saúde”. A jovem ainda fez questão de ressaltar que um dia realizará seu sonho, retomando o curso de medicina.

Comunica Salvador é um projeto da rede REPROTAI para trazer informação a mulheres e homens em condição de vulnerabilidade social, expostas a áreas de risco de doenças provocadas pelo mosquito Aedes aegypti, dentro de uma iniciativa que promove um diálogo sobre ética, saúde, raça, etnia e gênero.




Footnote: Texto e fotos: Tatiana Almeida
Salvador - BA, Brasil